domingo, 4 de julho de 2010

Ariadne


Ao revê-lo o coração acelerou, não sabia em que perna deveria se equilibrar, com dificuldade percebeu que teria que escolher uma delas, foi um grande esforço, afinal precisava colocar o corpo em posição ereta, para que ele configurasse o perigoso jogo das relações.
Sempre se perguntava o por quê que suas experiências com o amor o encaminhavam para o grau zero da vida. Descobriu que a cada relação mal sucedida, não perdia apenas o ente amado, perdia também uma pouco da fé na humanidade.
Percebeu com horror ou humildade que por anos seguidos velou sentimentos mortos, ofereceu as suas melhores horas para conviver com algo que já nascera sem vida. Arrogante como um herói persistia em animar o que era do mundo dos mortos e desprezava os convites à vida.
Olhando para si, como alguém que olha para aquilo que precisa ser amado, entendeu que era hora de abandonar o herói e seu cortejo e aceitar o seu destino de Ariadne.