segunda-feira, 21 de abril de 2008

TRAMAS

As minhas certezas sempre foram mais fortes que os nãos que recebi, as minhas certezas sempre se teceram ao largo da razão.
Habitante de uma cultura onde tudo está condenado à redenção, sempre me apresentaram as tramas simples dessa redenção ou a certeza de um final feliz.
Veemente, neguei às pessoas que já não podia olhar o mundo como a primeira vez.
No amor descobri o gosto de muitos pelo prazer sádico, como a famosa cortesã de Bartes, que ordena ao enamorado que permaneça por 100 noites sob sua janela, constatado o fato não há como ficar, desde que não seja masoquista ou voyer...
Hoje as minhas certezas já não estão muito certas, mas acredito que continuarei florescendo, independente das podas.

quarta-feira, 9 de abril de 2008

CONDENADOS AO AMOR

Sim, não deixa de possuir uma certa dose de horror quando percebemos que o objeto de tortura pode converter-se num objeto de prazer.
A perda de um amor, seja ele grande ou fugaz, na maioria das vezes, quando nos pomos a recordar, nos empurra para sensações já codificadas e aceitas por nossa cultura.
O recordar coloca o outro, que noutros momentos era a razão de afeto, no papel declarado de desafeto, o outro foi o culpado pelo meu sofrimento.
Mas reencontrar com este outro nas recordações pode ser também uma senha para que percebamos que toda nossa capacidade amar permanece tal e qual ao primeiro momento que descobrimos o amor.
Não reconhecemos essa habilidade por vaidade e/ou acomodação, ser tratado com comiseração nos garante partipação nas histórias de vitórias do bem sobre o mal, somos exemplos a serem seguidos.
A auto-indulgência não serve para ninguém, nem mesmo o outro deseja a indulgência.
Queremos que o outro participe da ainda de nossas vidas, mesmo que seja um desafeto, porque é bom caminhar com quatro pernas.
As muletas são péssimas, testemunham o estado invalidez, no caso dos amores fracassado nem tanto, pode nos sustentar meses, décadas e anos seguidos como disfarce para atestar uma incapacidade para o amor.
A imagem do outro pode nos trazer a mente a lembrança de uma tragédia que queremos fugir o tempo inteiro, ESTAMOS CONDENADOS AO AMOR