Sim, não deixa de possuir uma certa dose de horror quando percebemos que o objeto de tortura pode converter-se num objeto de prazer.
A perda de um amor, seja ele grande ou fugaz, na maioria das vezes, quando nos pomos a recordar, nos empurra para sensações já codificadas e aceitas por nossa cultura.
O recordar coloca o outro, que noutros momentos era a razão de afeto, no papel declarado de desafeto, o outro foi o culpado pelo meu sofrimento.
Mas reencontrar com este outro nas recordações pode ser também uma senha para que percebamos que toda nossa capacidade amar permanece tal e qual ao primeiro momento que descobrimos o amor.
Não reconhecemos essa habilidade por vaidade e/ou acomodação, ser tratado com comiseração nos garante partipação nas histórias de vitórias do bem sobre o mal, somos exemplos a serem seguidos.
A auto-indulgência não serve para ninguém, nem mesmo o outro deseja a indulgência.
Queremos que o outro participe da ainda de nossas vidas, mesmo que seja um desafeto, porque é bom caminhar com quatro pernas.
As muletas são péssimas, testemunham o estado invalidez, no caso dos amores fracassado nem tanto, pode nos sustentar meses, décadas e anos seguidos como disfarce para atestar uma incapacidade para o amor.
A imagem do outro pode nos trazer a mente a lembrança de uma tragédia que queremos fugir o tempo inteiro, ESTAMOS CONDENADOS AO AMOR