quarta-feira, 5 de setembro de 2007

FAUZI ARAP

Eu vou te contar que você não me conhece.E eu tenho que gritar isso, porque você está surdo e não me ouve. A sedução me escraviza a você.Ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei, e não a mim.E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa.Você não tem um nome, e eu tenho. Você é um rosto na multidão, e eu sou o centro das atenções.Mas a mentira da aparência do que eu sou, e a mentira da aparência do que você é, porque eu, eu não sou o meu nome. E você não é ninguém.O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação, através da aceitação da distância e do reconhecimento dela. Entre eu e você existe, a notícia, que nos separa.Eu quero que você veja a mim.Eu me dispo da notícia.E a minha nudez parada te denuncia e te espelha. Eu me delato. Tu me relatas.Eu nos acuso e confesso por nós.Assim, me livro das palavras com as quais você me veste.
FAUZI ARAP