Leitor de Alma

Imagens transformadas em palavras ou seria o agora que já é póstumo.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Sedutores ou Boa Leitura para Vítimas

Isto é coisa da sua cabeça, dirá um sedutor diante da sua confissão, não espere que diga eu compreendo, não consegue ver o que esta próximo, olha sempre além, como se cada conquista fosse um degrau. Ah, neste caso o degrau será o seduzido da ocasião.

Para os sedutores os dias não possuem gostosura, precisam ser superados e com eles todas as coisas que o compõe.

As mazelas que acometem a humanidade desde a abertura da caixa da divina Pandora, simplesmente, não atingem eles, minto, a esperança é boa companheira.

Num mundo com prazo de validade, toda a vitimização é crime, ainda que você seja a vítima da ocasião, sofrerá a acusação de ter sido vulnerável, fraco e traidor.

Traidor, porque ao tratar da sua condição de vítima, desvelou o grande segredo guardado a sete chaves; a condição de vítima de todos.

Estamos regidos pela velocidade, pela eficiência e por uma necessidade imensurável de atingir metas. Condições necessárias para um futuro povoado por belas casas (vazias de afeto), viagens (visitas em lojas de marcas), carros (ostentação) e bajuladores(especializados em assuntos de poder)

Partilhar desses valores é certeza, quase garantida, que o passado de vítima, ocasionado por um caleidoscópio de mazelas será apagado e no seu lugar surgirá uma história heróica, ótima para ser contada para as futuras vítimas.

Não se esqueçam - a grande máquina de produzir heróis e dias melhores é alimentada por vítimas e operada por sedutores

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

hoje é assim...

Escrever é um exercício complexo, bom, e daí? Alguém tem que começar! né?
O lance do twitter é muito interessante, as pessoas escrevem ou digamos registram pela escrita o que poderia ser mais uma imagem fotográfica no meio de centenas de milhares de fotografias.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

É tudo espetáculo, várias informações e contra informações, verdades, meias verdades e mentiras...enfim narrações.

Michel Jackson não morreu!

Todas as informações que chegaram até nós não passam de um golpe de marketing. Golpe orquestrado por algum super gênio, que preocupado em ganhar milhões e milhões de dólares, resolveu salvar a estrela solitária da terra do nunca de suas intermináveis dívidas porque afinal todos temos os nossos dias de pobre menina rica...

A morte foi confirmada, um legista ou digamos, a verdade que veste branco, através de um laudo confirmou ao mundo a morte de Jackson, mas ao mesmo tempo, um outro colega de turma, que também veste branco, embora odeie, porque prefere o roxo, se prepara para um procedimento cirúrgico complicadíssimo, transformar Michael em uma loura platinada, com seios e quadris fartos.

As próteses foram adquiridas em segredo na empresa que fábrica a Barbie, a mercadoria chegou em Never Land como mais um entre tantos outros carregamentos de bonecas que chegam diariamente naquela propriedade.

O Michael Jackson que conhecíamos morreu!

Aquilo que veremos dentro de alguns dias adentrando ao palco é uma loira platinada, super gostosa, aparecida do nada, com uma voz tipo Aretha Franklin, a qual terá em comum com Jackson apenas uma história de infância sofrida, tal qual Marlyn Monroe.

Nada mais é necessário para enfrentar a contemporaneidade, apenas um bom marketeiro e um ótimo cirurgião plástico...

Creio que é isto, talvez um dia, alguém bastante sensível perceba que Michael levou para a cena pop o conceito de corpo manipulado, decidiu com esta atitude se libertar de todas as manipulações que foi vítima e cúmplice, decidiu que o seu rosto não seria rótulo de pacote de biscoito, pasta de dente, sabonete ou comida de cachorro, criou uma imagem apenas para seu deleite, enfim, tornou-se livre.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

QUANTO AO INFERNO ASTRAL

São tantas coisas que fogem ao controle, acredito que tenha que passar por todas elas, quando elas acontecem, quase sempre me lembro que vou voltar para casa, tomar banho e dormir.
Num destes dias, destes em que todas as portas e janelas se apagam, pensei, existe o bem ou nos acostumamos a conviver com o mal? Acho por agora que é mal porque chegou e todas as chegadas são assim estranhas...

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

POESIA DO NATAL - PAULO MENDES CAMPOS

Há pessoas sensíveis e tímidas como os elefantes: quando a falta de saúde as desequilibra, quando uma doença qualquer vem colocá-las em uma situação de inferioridade em meio às outras, escondem-se e se fecham em um silêncio de bicho.
Há pessoas antigas, belas e fora de moda como grandes relógios de mogno; não combinam com nossas mobílias de madeira compensada; não cabem em nossos apartamentos, em nossas idéias, em nossas emoções; nós as respeitamos, intimidados, porque os compassos de um relógio antigo marcam dois tempos irreconciliáveis.
Há pessoas lúcidas, devoradas por uma bola de fogo; capazes de uma tristeza seca, sem o consolo de enternecimento; e, no entanto, muitas delas nunca leram sequer uma página de Stendhal; consomem-se sozinhas, nessa deslumbrante e cruel supremacia do espírito.
Há pessoas (e não minto, eu vi) que, ao tomar um bonde, são esmagadas pelas inexoráveis relações cósmicas; a energia é igual à freqüência da radiação multiplicada pela constante de Planck; e esta (ó espaços constelados!) é 0000000000000000000000006624.
Há pessoas e pulmões excelentes e sem poesia, que fazem lembrar, todavia, o pobre Anto: em Paris, sentem saudades da pátria; na pátria, sentem saudades de Paris.
Há pessoas maltratadas dia a dia, hora a hora, instante a instante, pela sede de justiça. Ah, como sofrem! Ah, como se crispam! Ah, como desejam a aparição do Nêmesis!
Há pessoas que configuram a terra como um recado que transmite de orelha a orelha. De homem para homem, de coração a coração. Dormem inquietas, e levantam-se ao primeiro apelo da aurora, e vão ver, através do nevoeiro da vidraça, se a verdadeira ave de fogo vem voando.
Há pessoas que morrem tão devagar, tão sem vontade que envenenam o carinho de toda a família. Coitadas!
Há pessoas que ficam doendo com a lembrança de outra pessoa, entra ano, sai ano, virando e revirando o caleidoscópio, olhando como caem e se dispõem as cores e os cristais do sofrimento.
Conheci uma pessoa que fechava os olhos no cinema quando aparecia corrida de cavalos. Tinha uma piedade enorme dos animais.
Há pessoas que têm olhos grandes e assustados como os de santa Luzia, que padeceu o martírio sob o cônsul Pascassiano.
Muitas pessoas. Arthur, que fugiu para a África; Hermano, que perseguiu a baleia; Maria, que entendeu o sentido do sol rubro entre névoas; Jaime, que se correspondia com objetos; Maurício, que descreveu Maria em livro; Vladmir, que foi uma tormenta; Menezes, destroçado na colina; José, João, Antônio...
Com elas todas, divido o pão e a triste poesia do Natal; com elas compartilho o meu vinho, o vinho intenso da terra.
Paulo Mendes Campos (O amor acaba)

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

O PRIMEIRO DIA DE VIRGEM

Algumas vezes me questiono, por que espero tanto?
Será que alimento algum medo a respeito das possíveis verdades que rondam as pessoas e as coisas?
Neste mês tive uma perda irreversível, entendi o que é a dor da ausência, ela é composta de puro silêncio.
Algumas vezes percebemos o silêncio, estamos imerso nele, mas algo está vivo, alguém registra algo, o silêncio que encobre.
No silêncio que se segue de uma presença que veio a ser ausência, tudo é silêncio, não há sangue correndo nas veias, não há imagens em mente, tudo é silencioso, nem triste, nem feliz, silencioso apenas.
Local: Internet _ Rua Augusta

terça-feira, 8 de julho de 2008

...COMPREENDO...

Hoje compreendo e compreendo porque compreender é conquistar algo que está para além daquilo que conheço na minha aldeia.
A cada descortinar da existência constato que ninguém nasce humano, torna-se humano, ao longo desse processo aquilo que era passou a ser uma outra coisa.
Há muito venho criando uma ponte para o amor, enfim, cheguei ao amor, se antes acreditava que amor sempre pertencia a alguém ou estava direcionado para algo ou algum lugar, hoje sei e compreendo que não.
Ao meio dia me despedi de alguém que chegou no tempo do meu amor, ficou em mim uma quase certeza de ter acolhido com todos óleos, olhares e sorrisos, mas como o amor é pássaro rebelde que não se pode aprisionar, partiu!
Compreendo, hoje, que meu amor não tem demanda e nem encomenda, é apenas amor para viver.